terça-feira, 4 de agosto de 2009

Alice pôs-se a pensar sobre esse sentimento de não pertencer a nenhum grupo, ser avulsa, estranha a todos e, depender de que “amigos” a convidassem a participar dos seus clãs.
Não era do grupo dos motores, já não pertencia ao grupo das casadas, ainda não havia formado o seu grupo e não circulava pelo grupo familiar. Já estava nos quarenta e recomeçava, tudo de novo.
Esta sensação de isolamento acreditava ser normal para quem com a cara e a coragem escolheu morar longe da sua terra, dos seus amigos e familiares, mas mesmo assim...essa normalidade estava causando dor e confusão.
A vida não é uma festa eterna – pensou ela - você não pode ser convidada para todos os eventos e badalar que nem sino, até porque essa situação se não vem acompanhada de um grupo do qual você faça parte, deixa um vazio enorme!
Mas também ela se questionava sobre as relações que mantinha, em como agia com o outro e de como ele agia ou reagia.
Acreditando ser uma pessoa que tem por hábito se colocar no lugar do outro e ponderar suas razões, ela tendia a agregar e interagir, e não se percebia simplesmente vivendo sua feliz vida sem se importar que solidão estaria vivendo algum amigo. Os colocava em seu colo, partilhava dores e na medida do possível procurava ajuda-los com palavras de carinho, ânimo, conforto, e apesar de seus parcos recursos, suas necessidades mais imediatas, sem perguntar pra que, onde ou como.
Nestes dois últimos meses Alice viu ruir muitas coisas importantes, viu máscaras caindo... Inclusive as suas.
Do seu consciente abriram-se janelas de entendimento das muitas coisas que ocorreram a sua volta. Compreendeu que amigos não são aqueles dos pilequinhos, mas sim aqueles que nos dão a mão e nos guiam, nos ajudam a crescer nas horas mais difíceis. Como nesse momento em que vomito a solidão em letras.

Já não pertenço a grupos, tenho amigos, solitários e solidários, uns poucos que hoje trilham diariamente ao meu lado, os do meu coração que estão distantes, mas sempre tão presentes e importantes.




A eles dedico Paulo Leminski:


eu


quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha

E Gonzaguinha !

2 comentários:

Jackyll disse...

simplesmente, vida longa a Alice...

Unknown disse...

Gosto dessas tuas abstrações, que na verdade ~soa os teus sentimentos do mundo real...sabe se expressar legal. Espero estar entre os solitários/solidários rsrsr Beijo