domingo, 2 de agosto de 2009

Um segundo olhar sobre o óbviio



Algo incomodava Alice profundamente nos últimos dias, inquieta, pensativa, emotiva... ela não conseguia chegar ao ponto detonador, mas sabia que estava perto.
Revia toda sua vida como flashs de um filme...um não...vários !
Comédia, drama, terror, violência, aventura e pornografia juntos em um só filme, seria um best! Mas nenhum autor conseguira alcançar tal êxito.
Certa noite fria e chuvosa, o sono vagou junto a pensamentos não muito óbvios, que a deixaram inquieta e de sobreaviso. Começou a se questionar sobre o dar e receber na vida, nas relações fraternas, nos relacionamentos mais íntimos.

Lembrou Fernando Pessoa que afirmou que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" , e verificou que se valia desta máxima poética. Relia seu cotidiano mais óbvio, procurando o que não ficou óbvio em uma primeira leitura.
Nele, ela encontrou pessoas que usaram essa sua disponibilidade para saciar seus egos, seus desejos e suprir suas necessidades mais emergentes, não se dando conta que a vida é um dar e receber infinito.
Uma troca eterna.
É - pensou ela - ultimamente tenho mais dado do que recebido...

Não que isso representasse uma reclamação, mas sim uma constatação de que em algumas de suas relações o individualismo e a competição atuaram de forma inexorável em sua vida. Deixaram marcas que nem mesmo ela havia percebido.

Dar é divino, receber aquece o coração. Saber a quem dar é iquestionável, vem do coração, saber de quem receber já consiste numa colheita, e, em como toda plantação há vários fatores externos que interferem no processo. Chuva, frio, seca, temperaturas tórridas, pragas... nunca saberíamos, sempre algo poderia nos pegar de surpresa.

Alice sabia que precisava abandonar velhos habitos, certas pessoas, e continuar sua busca por suas verdades interiores e seguir reta e tesa em busca da sua lenda pessoal
.






Discreto

até que foi bem discreto
deixando, ao partir, intenso
muito do seu segredo
nem chegou a tempestade,
esses excessos do vento
foi um corte pequeno
nem dor a mais, nem de menos
foi porque tinha que ir
foi porque tinha que ser
mas está aí a cicatriz
que não deixa mais mentir
se foi ou não foi feliz


Música: Chico César
Letra: Alice Ruiz


Adeus


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