A vida de descasada tem seus prós e seus contras. Alice já sabia isso, já não era a primeira e, ela sabia, nem a última vez que um relacionamento seu iria acabar. Essa sua “nova” vida poderia ser comparada às fases de Lua: A cheia era acompanhada da abundância de sentimentos, pessoas e acontecimentos, nas minguantes era tomada pela meditação e pelo ostracismo, já na nova as descobertas, a florescência e finalmente na crescente as inúmeras possibilidades se descortinavam a sua frente.
Em uma dessas fases cheias ela e amigas saíram para a balada, enfeitou-se, perfumou-se e colocou seu melhor decote, a noite prometia e sua ânsia de entrega também. Olhares pra cá, olhares pra lá e nada acontecia. Mas isso não a preocupava, sabia que a lua cheia iria lhe propiciar um belo encontro. E quando menos esperava e nem mais olhares mandava, pintou o carinha que iria lhe encher de beijos e carinhos.
Na arte da conquista a ansiedade afasta, retrai, repele o objeto de desejo. Quanto mais se quer, menos se tem. E Alice a esta altura de sua vida já percebia isso. Assim como percebia também que as palavras e gestos de sedução iriam durar até que fossem pra cama e saciassem seus instintos. Depois disso e perante três palavras fatídicas: EU TE AMO, cessariam as flores, os poemas, as músicas e tudo aquilo que encantava antes no parceiro passaria a ser motivo de desconfiança ou feneceria.
Sua exuberância e sexualidade, as festas, sua segurança e intensidade com a qual encarava a vida, tudo que antes conquistava, após a constatação de que se apaixonara lhe eram tolhidas e muitas vezes seriam o motivo das separações. O que atraia, agora repelia. Isto não estava em sintonia com a natureza, pensava Alice, se você ama uma orquídea lilás, porque querer que ela se transforme numa margarida do campo?
Será que para conquistar temos que esconder nossos sentimentos e essência?
Conquistar não é se entregar... muitas vezes é se esconder, é sonegar. Como entender e conviver com essa incongruência humana.
Alice decidira, sua vida seria uma conquista constante, queria ser conquistada e reconquistada e só seria merecedor do seu amor quem tivesse sensibilidade para perceber, entender e aceitar isso.
Essa música do Chico Buarque e do Tom Jobim, é o retrato de que realmente as coisas mudam...
Nenhum comentário:
Postar um comentário